terça-feira, 13 de junho de 2023

Formação Pascom

Os quatro eixos da Pastoral da Comunicação (Pascom)

Como já falamos por aqui, a Pastoral da Comunicação - ou Pascom - é a Pastoral que liga todas as outras e está presente no cotidiano da Igreja, nos eventos e na manutenção da comunicação com os fiéis. É a Pastoral da acolhida, da união e da propagação dos valores Cristãos através de diversas ferramentas facilitadoras.

Para desenvolver um bom trabalho, a Pascom deve fazer parte de uma política global que gere comunhão e interatividade, alicerçada em quatro eixos: Formação, articulação, produção e espiritualidade.

Vamos explicar cada um deles.

1- Formação: uma boa Pascom deve ser composta por pessoas comprometidas com seus objetivos e alinhadas à propagação da palavra de Deus. O desenvolvimento e engajamento de líderes e agentes pastorais é crucial para que os mesmos desenvolvam e executem projetos teoricamente embasados, tecnicamente atualizados e eticamente comprometidos. É dever da Pascom promover os treinamentos e aprimoramentos para os membros de todas as outras Pastorais.

2- Articulação: A articulação se propõe a animar e envolver os agentes culturais, pastorais e comunidade em geral para que conheçam e se comprometam com ações concretas e integradas com os processos e meios de comunicação para o anúncio da Boa-Nova de Jesus Cristo. Faz parte da articulação os trabalhos de assessoria de imprensa, relacionamento com os fiéis nas redes sociais, promoção de eventos e grupos voltados à vida cristã.

3- Produção: Levar a palavra bíblica para o maior número de pessoas possível, trazendo assim fé e consolo através dos ensinamentos de Cristo é dever de toda Pascom. Hoje em dia, contamos com diversos recursos e meios para propagar as mensagens de Deus, tais como: redes sociais, meios impressos (revistas, folhetos, jornais), vídeos, sites e diversas outras fontes de informação. É importante que a Pascom sempre procure produzir conteúdos relevantes e os propague para toda a comunidade.

4- Espiritualidade: O último e mais importante eixo. Sem a prática e vivência da espiritualidade, o comunicador esvazia-se, fragiliza-se como ser humano e se torna vulnerável às dificuldades que se apresentam ao longo do caminho. O cuidado com a vida pastoral não deve ser momentâneo ou casual. Deve-se espiritualizar todas as atividades em grupo e individuais. Viver a mística da comunicação do Evangelho no dia a dia, entendê-lo e desta forma propagá-lo.

A partir desses quatro eixos, o planejamento e implementação da sua Pascom já podem ser iniciado dentro da Paróquia.

Acompanhe o nosso blog para mais informações e dicas sobre o trabalho das Pascom e de como elas podem atuar dentro das Igrejas e na comunidade Católica.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Nossa Senhora Rosa Mística, em suas primeiras aparições, nos deixa uma mensagem de fé e de esperança para toda a Igreja.
A mensagem de Nossa Senhora Rosa Mística
Nossa Senhora Rosa Mística
Em sua mensagem, Nossa Senhora Rosa Mística nos convida a entrar na dinâmica da graça que animou toda a sua existência terrena. As primeiras aparições da Rosa Mística aconteceram em Montichiari (Montes Claros), na Itália, e deram início à esta devoção, que se espalhou por todo o mundo, conforme foi prometido por ela. Nossa Senhora, que apareceu na noite entre 23 e 24 de novembro de 1946 à irmã Pierina Gilli sob o título de Rosa Mística, nos convida a nos voltar para o seu Coração Imaculado e nele encontrar o espírito de “oração, penitência e sacrifício”, que tanto agrada o Sagrado Coração de Jesus Cristo, seu amado Filho. A mensagem da Rosa Mística aponta, à luz do seu “sim” ao mistério da Encarnação do Verbo1, para o “sim” que somos todos chamados a dizer para a vontade de Deus em nossas vidas. Como a Virgem de Nazaré, somos impelidos pelo Espírito Santo a dizer: “Faça-se em mim segundo a Tua Palavra”2. E, movidos também pelo Espírito de Deus, como a irmã Pierina, somos chamados acolher a mensagem da Rosa Mística.
Aos nos deparar com o título de Rosa Mística, podemos pensar em muitas coisas e nos desviar daquilo que é a essência da mensagem das aparições de Nossa Senhora. Para nos livrar deste erro, a própria Virgem Maria, na sua terceira aparição, responde à irmã Pierina: “o nome Rosa Mística não tem, em si, nada de novo. De Rosa Mística fui chamada naquele momento em que meu Divino Filho Jesus se fez homem. Na Rosa Mística está simbolizado o FIAT da Redenção3 e o FIAT da minha colaboração4. Eu sou a Imaculada Conceição, a Mãe do Senhor, a Mãe da Graça e a Mãe do Corpo Místico: a Igreja! A graça do Senhor e a sua misericórdia ainda farão florescer a Rosa Mística na Igreja. […] E, se atenderem ao meu maternal convite, Montichiari se tornará o lugar do qual a luz mística se irradiará para todo mundo. Sim, tudo isso acontecerá!5
Em sua primeira aparição, em 1947, Nossa Senhora aparece com o semblante triste, com um manto roxo e tinha três espadas cravadas em seu peito. Nesta aparição, os lábios da Virgem Maria se abriram somente para dizer docemente: “oração, sacrifício e penitência”, depois ela ficou em profundo silêncio. Na segunda aparição, a Rosa Mística explica o significado dessas três espadas: a primeira espada significa a perda culposa da vocação sacerdotal ou religiosa; a segunda espada, a vida em pecado mortal das pessoas consagradas a Deus; a terceira espada, a traição daquelas pessoas que, ao abandonarem sua vocação sacerdotal ou religiosa, perdem também a fé e se transformam em inimigos da Igreja6.
Nesta mesma aparição, a Virgem Mãe de Deus estava vestida de branco e no peito, no lugar das três espadas, tinha três lindas rosas, nas cores branca, vermelha e amarelo-dourada, que simbolizam a reparação das “espadas”. A rosa branca significa o espírito de oração com o qual devemos pedir a reparação das vocações traídas, pelas vocações sacerdotais e religiosas. “O brilho da rosa vermelha é para lembrar o espírito de sacrifício, para reparar os pecados mortais cometidos pelas almas consagradas a Deus e mostrar a misericórdia do Senhor que deseja reavivar a chama do amor nos corações”7. A rosa amarelo-ouro significa o espírito da penitência em favor do clero, em reparação ao espírito de traição de Judas.
Assim, Nossa Senhora Rosa Mística é a Mãe de Deus, a Mãe da Graça e a Mãe do Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja! Como nos indicou a Rosa Mística, desde a sua primeira aparição, nos coloquemos em “oração, sacrifício e penitência” pelas almas consagradas ao Senhor, especialmente pelos sacerdotes, que são os filhos prediletos da Virgem Maria. Transformemos em lindas rosas as espadas que, pela infidelidade dos servos e servas de Deus, foram cravadas em seu coração de Mãe. Rezemos, de modo especial, o Rosário Mariano, como recomendou a Mãe da Igreja à irmã Pierina para dizer a todos nós: “diga a meus filhos que rezem o santo terço”8. Nossa Senhora Rosa Mística, rogai por nós!
Referências:
1 Cf. Lc 1, 26-38.
2 Lc 1, 38b.
3 A aceitação amorosa, o faça-se (do latim fiat), da Virgem Maria ao sacrifício de seu Filho Jesus Cristo no Calvário. Cf. Jo 19, 25-27.
4 O acolhimento sem reservas, o faça-se (do latim fiat), da Virgem Maria à vontade do Altíssimo, ao mistério da Encarnação do Filho de Deus. Cf. Lc 1, 38.
5 VENTURA, Gregório. Rosa Mística: o jardim celestial perfeito. São Paulo: Palavra & Prece, 2013, p. 97-98.
6 PARÓQUIA ROSA MÍSTICA. História da Rosa Mística.
7 VENTURA, Gregório. Op. cit., p. 101.
8 Idem, p. 100.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Qual a origem da festa de Corpus Christi?

eucharist_in_monstranceA Festa de “Corpus Christi” é a celebração em que solenemente a Igreja comemora o Santíssimo Sacramento da Eucaristia; sendo o único dia do ano que o Santíssimo Sacramento sai em procissão às nossas ruas. Nesta festa os fiéis agradecem e louvam a Deus pelo inestimável dom da Eucaristia, na qual o próprio Senhor se faz presente como alimento e remédio de nossa alma. A Eucaristia é fonte e centro de toda a vida cristã. Nela está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, o próprio Cristo.
A Festa de Corpus Christi surgiu no séc. XIII, na diocese de Liège, na Bélgica, por iniciativa da freira Juliana de Mont Cornillon, (†1258) que recebia visões nas quais o próprio Jesus lhe pedia uma festa litúrgica anual em honra da Sagrada Eucaristia.
Aconteceu que quando o padre Pedro de Praga, da Boêmia, celebrou uma Missa na cripta de Santa Cristina, em Bolsena, Itália, ocorreu um milagre eucarístico: da hóstia consagrada começaram a cair gotas de sangue sobre o corporal após a consagração. Dizem que isto ocorreu porque o padre teria duvidado da presença real de Cristo na Eucaristia.
O Papa Urbano IV (1262-1264), que residia em Orvieto, cidade próxima de Bolsena, onde vivia S. Tomás de Aquino, ordenou ao Bispo Giacomo que levasse as relíquias de Bolsena a Orvieto. Isso foi feito em procissão. Quando o Papa encontrou a Procissão na entrada de Orvieto, pronunciou diante da relíquia eucarística as palavras: “Corpus Christi”.
Em 11/08/1264 o Papa aprovou a Bula “Transiturus de mundo”, onde prescreveu que na 5ª feira após a oitava de Pentecostes, fosse oficialmente celebrada a festa em honra do Corpo do Senhor. São Tomás de Aquino foi encarregado pelo Papa para compor o Ofício da celebração. O Papa era um arcediago de Liège e havia conhecido a Beata Cornilon e havia percebido a luz sobrenatural que a iluminava e a sinceridade de seus apelos.
Em 1290 foi construída a belíssima Catedral de Orvieto, em pedras pretas e brancas, chamada de “Lírio das Catedrais”. Antes disso, em 1247, realizou-se a primeira procissão eucarística pelas ruas de Liège, como festa diocesana, tornando-se depois uma festa litúrgica celebrada em toda a Bélgica, e depois, então, em todo o mundo no séc. XIV, quando o Papa Clemente V confirmou a Bula de Urbano IV, tornando a Festa da Eucaristia um dever canônico mundial.
Em 1317, o Papa João XXII publicou na Constituição Clementina o dever de se levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas. A partir da oficialização, a Festa de Corpus Christi passou a ser celebrada todos os anos na primeira quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade.
Todo católico deve participar dessa Procissão por ser a mais importante de todas que acontecem durante o ano, pois é a única onde o próprio Senhor sai às ruas para abençoar as pessoas, as famílias e a cidade. Em muitos lugares criou-se o belo costume de enfeitar as casas com oratórios e flores e as ruas com tapetes ornamentados, tudo em honra do Senhor que vem visitar o seu povo.
Começaram assim as grandes procissões eucarísticas, as adorações solenes, a Bênção com o Santíssimo no ostensório por entre cânticos. Surgiram também os Congressos Eucarísticos, as Quarenta Horas de Adoração e inúmeras outras homenagens a Jesus na Eucaristia. Muitos se converteram e todo o mundo católico.
Eucaristia: Presença real de Jesus no pão e no vinho consagrados
Todos os católicos reconhecem o valor da Eucaristia. Podemos encontrar vários testemunhos da crença da real presença de Jesus no pão e vinho consagrados na missa desde os primórdios da Igreja.
Mas, certa vez, no século VIII, na freguesia de Lanciano (Itália), um dos monges de São Basílio foi tomado de grande descrença e duvidou da presença de Cristo na Eucaristia. Para seu espanto, e para benefício de toda a humanidade, na mesma hora a Hóstia consagrada transformou-se em carne e o Vinho consagrado transformou-se em sangue. Esse milagre tornou-se objeto de muitas pesquisas e estudos nos séculos seguintes, mas o estudo mais sério foi feito em nossa era, entre 1970/71 e revelou ao mundo resultados impressionantes:
A Carne e o Sangue continuam frescos e incorruptos, como se tivessem sido recolhidos no presente dia, apesar dos doze séculos transcorridos.
O Sangue encontra-se coagulado externamente em cinco partes; internamente o sangue continua líquido.
Cada porção coagulada de sangue possui tamanhos diferentes, mas todas possuem exatamente o mesmo peso, não importando se pesadas juntas, combinadas ou separadas.
São Carne e Sangue humanos, ambos do grupo sanguíneo AB, raro na população do mundo, mas característico de 95% dos judeus.
Todas as células e glóbulos continuam vivos.
A carne pertence ao miocárdio, que se encontra no coração (e o coração sempre foi símbolo de amor!).
Mesmo com esse milagre, entre os séculos IX e XIII surgiram grandes controvérsias sobre a presença real de Cristo na Eucaristia; alguns afirmavam que a ceia se tratava apenas de um memorial que simbolizava a presença de Cristo. Foi somente em junho de 1246 que a festa de Corpus Christi foi instituída, após vários apelos de Santa Juliana que tinha visões que solicitavam a instituição de uma festa em honra ao Santíssimo Sacramento. Em outubro de 1264 o papa Urbano IV estendeu a festa para toda a Igreja. Nessa festa, o maior dos sacramentos deixados à Igreja mostra a sua realidade: a Redenção.cpasegredodasagradaeucaristia
A Eucaristia é o memorial sempre novo e sempre vivo dos sofrimentos de Jesus por nós. Mesmo separando seu Corpo e seu Sangue, Jesus se conserva por inteiro em cada uma das espécies. É pela Eucaristia, especialmente pelo Pão, sinal do alimento que fortifica a alma, que tomamos parte na vida divina, nos unindo a Jesus e, por Ele, ao Pai, no amor do Espírito Santo. Essa antecipação da vida divina aqui na terra mostra-nos claramente a vida que receberemos no Céu, quando nos for apresentado, sem véus, o banquete da eternidade.
O centro da missa será sempre a Eucaristia e, por ela, o melhor e o mais eficaz meio de participação no divino ofício. Aumentando a nossa devoção ao Corpo e Sangue de Jesus, como ele próprio estabeleceu, alcançaremos mais facilmente os frutos da Redenção!
Prof. Felipe Aquino

domingo, 25 de janeiro de 2015

O Tratado da Verdadeira Devoção, grande legado de São Luís Maria para a Igreja.
Consagração segundo o Tratado da Verdadeira Devoção, de São Luís MariaO “Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem” é uma obra de São Luís Maria Grignion de Montfort (☆1673 – ✝1716), escrita por ele pouco antes de sua morte. O livro nos fala da devoção a Nossa Senhora e da necessidade da consagração a Ela. Além disso, o Tratado nos dá um método simples e eficaz de consagração, de nos entregar inteiramente a Maria.
O manuscrito do Tratado ficou perdido durante 130 anos, de 1712 a 1842, quando foi encontrado em uma caixa por um padre da congregação fundada por Montfort. Isto foi predito pelo Santo em seu Escrito: “Prevejo que muitos animais frementes virão em fúria para rasgar com seus dentes diabólicos este pequeno escrito […] Ou pelo menos procurarão envolver este livrinho nas trevas e no silêncio duma arca, a fim de que não apareça” (TVD 114).
A finalidade deste livro, segundo São Luís Maria, é mostrar como Maria Santíssima ainda é desconhecida, o que é uma das razões de Jesus Cristo não ser conhecido como deve ser. O Tratado nos leva ao conhecimento do Reino da Virgem Maria e ao conhecimento do Reino de Cristo. São Luís também diz que Jesus veio ao mundo por Maria e por Ela deve voltar no fim dos tempos: “Ela deu Jesus Cristo ao mundo a primeira vez, a há de fazê-lo resplandecer também na segunda vez” (TVD 13).
O Tratado foi promulgado pelo Papa Pio IX em 12 de maio de 1853, em Roma. Através de um decreto, os escritos de São Luís foram declarados isentos de qualquer erro que pudesse ser obstáculo para a sua beatificação. Além disso, muitos outros papas aprovaram o Tratado e concederam indulgências a quem se consagrasse pelo método de Grignion de Montfort. Dentre eles, talvez o mais célebre e conhecido seja o saudoso Papa João Paulo II, que conheceu o Tratado já na sua infância e particularmente consagrou-se a Maria segundo o Tratado.
Não nos enganemos pelo tamanho e pela simplicidade deste pequeno Livro, pois ele foi de grande auxílio para muitos cristãos em tempos difíceis. O Tratado e a consagração a Virgem Maria, segundo o método de Montfort, foram vias de santificação para numerosos homens de mulheres, do século XVIII até os nossos dias. Considerando a importância da consagração a Nossa Senhora na vida dos fiéis, recomendamos a leitura do Tratado, a preparação e a consagração total a Santíssima Virgem.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014


 Proclamação do Dogma Imaculada Conceição

Há 152 anos uma alegria intensíssima encheu de júbilo as fileiras católicas do mundo inteiro: a notícia da proclamação do dogma da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem. O Bem-aventurado Papa Pio IX, fundamentado na Sagrada Escritura e no testemunho constante da Tradição (a transmissão oral passada de geração a geração), e por virtude do Magistério infalível, declarou ser de revelação divina que Maria Santíssima foi totalmente isenta do pecado original, desde o primeiro instante de sua concepção, consignado como está na Bula Ineffabilis Deus, de 8 de dezembro de 1854. Tal declaração revestiu-se de especial esplendor, pois, ao mesmo tempo que representava uma glória para Nossa Senhora e a Santa Igreja, era também um triunfo sobre o liberalismo e o ceticismo que corroíam a Civilização Cristã, que afrontavam o Vigário de Cristo e os direitos da Santa Sé, naqueles meados do século XIX. Período esse conturbado por revoluções anticatólicas em várias partes do mundo, desencadeadas sobretudo pelos propugnadores do racionalismo, do naturalismo e do anarquismo — inimigos da Igreja, fulminados por aquele Pontífice em diversos documentos.
Foi enorme o aplauso entusiástico que reboou entre os católicos da Terra inteira, porque o singular privilégio da Imaculada Conceição— no qual incontáveis santos, teólogos e fiéis em geral sempre creram desde os primórdios do cristianismo, e ao longo de todos os séculos — por fim era definido como verdade de fé.

Quatro anos após a proclamação do dogma da Imaculada Conceição, no dia 25 de março de 1858, em Lourdes, Nossa Senhora confirma tal verdade de fé. Quando a pequena vidente Bernadette Soubirous perguntou-Lhe quem era Ela, Nossa Senhora, depois de estender os braços — como se vê na Medalha Milagrosa —, juntou as mãos à altura do coração e respondeu: “Eu sou a Imaculada Conceição!”
No calamitoso século XX, em Fátima, a Virgem Santíssima recomendou a devoção a seu Coração Imaculado e prometeu: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!”. Era esta mais uma magnífica confirmação do dogma proclamado pelo Bem-aventurado Papa Pio IX no século XIX.
O pecado original
“E [Deus] de um só [homem] fez [descender] todo o gênero humano, para que habitasse sobre toda a face da Terra” (At 17, 26). Nossos primeiros pais, Adão e Eva, foram criados “à imagem e semelhança [de Deus]” (Gn 1, 26), no estado de graça e inocência, de justiça e santidade; receberam o dom da imortalidade; viviam perfeitamente felizes no paraíso terrestre, e, na ordem da graça, participavam da própria natureza divina. Mas desobedeceram ao Criador e, obedecendo à serpente infernal, ficaram escravizados ao demônio. Em conseqüência desse pecado, os rebelados foram expulsos do paraíso, perderam os dons sobrenaturais que possuíam; de seres angelicais, tornaram-se carnais; ficaram sujeitos a todas as enfermidades e misérias e à morte. Resultado: todos os seus descendentes ficamos maculados, herdamos os efeitos do pecado original, com o qual todos nascemos.
Deus poderia ter abandonado a humanidade nesse estado pecaminoso, mas, por sua infinita misericórdia, quis salvar os homens. Ele asseverou ao demônio, sob a forma da serpente maldita: “Porei inimizades entre ti [o demônio] e a Mulher [Maria Santíssima], entre a tua descendência [os maus] e a descendência d´Ela [Jesus Cristo e os bons]; Ela te esmagará a cabeça” (Gn 3, 15).
Obra-prima de Deus
A fim de que se operasse a salvação do gênero humano, tornava-se necessária uma reparação. Como? Por meio da Encarnação do Filho unigênito de Deus, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, que viria à Terra reparar a malícia infinita do pecado, padecer na Cruz pelos homens e, com seu sacrifício, redimi-los. Este mistério cumpriu-se por obra do Espírito Santo, com a Encarnação do Verbo de Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo. “Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamarão pelo nome de Emanuel, que quer dizer: Deus conosco” (Mt 1, 23) — anunciou tal mistério o Profeta Isaías, sete séculos antes de sua realização (Is, 7, 14).
“Quem é esta que se levanta como a aurora que surge, bela como a lua, resplandecente como o sol, terrível como um exército enfileirado para a batalha?” (Cant 6, 9). Os exegetas interpretam esse texto como sendo o nascimento da Santíssima Virgem, que, como a aurora, anuncia o nascer do sol — o sol de Justiça, o Salvador do gênero humano que se fez homem para nos salvar. Nossa Senhora, obra prima da criação, é a antítese de Eva. O Magistério da Igreja ensina que a má ação de Eva, associada à de Adão — causadora da ruína da humanidade — foi desagravada por Nossa Senhora, a nova Eva, associada a Nosso Senhor Jesus Cristo, o novo Adão.
Isenção de qualquer mácula...
Em sua qualidade de Mãe de Deus, não seria sapiencial que Ela fosse concebida sem mácula alguma? Ao contrário de todos os seres humanos — que, sem exceção, vêm ao mundo com a mancha original —, não seria possível que Ela fosse a única exceção?
Sim, é claro, para Deus nada é impossível. Não convinha que a Mãe do Verbo de Deus fosse, ainda que por um instante apenas, maculada pelo pecado original, portanto escravizada ao demônio. Se tivesse contraído a mancha original, Ela ficaria, mesmo sem culpa própria, sob o domínio do demônio.
Mas, se Nosso Senhor Jesus Cristo veio à Terra para redimir todos os homens, como ensina o dogma da Redenção Universal, em que situação fica Nossa Senhora? Ela não estaria incluída na Redenção, se foi isenta do pecado antes da vinda do Salvador? Ela não precisaria, portanto, da Redenção? Os teólogos ensinam que o privilégio da Imaculada Conceição foi-Lhe concedido em previsão dos méritos que seriam adquiridos por Nosso Senhor e Ela se beneficiou da Redenção antes que esta se consumasse. “Potuit, decuit, ergo fecit” (Deus podia fazê-lo, convinha que o fizesse, logo o fez). Com este célebre axioma, o beato franciscano João Duns Scoto (1265-1308) concluíra sua exposição, em defesa da Imaculada Conceição, na Universidade de Paris. Foi considerado um brilhante triunfo o fato de ter sintetizado, na sentença acima, as razões do referido privilégio. Deus Todo Poderoso podia criar a Virgem Santíssima isenta de pecado. Ele certamente o queria, pois convinha à altíssima dignidade daquela que viria a ser a Mãe do Divino Salvador, que Ela estivesse livre de qualquer mácula; Ele, portanto, concedeu-lhe tal privilégio. Temos aí o maravilhoso e singular privilégio da Imaculada Conceição.
...na previsão da Redenção
A Santa Igreja ensina que Maria Santíssima foi preservada do pecado original, na previsão dos futuros méritos da Vida, Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele a pré-redimiu desde o primeiro instante da sua existência, sendo Ela, devido aos frutos da Redenção, criada em estado de inocência original.
Sendo concebida sem pecado original, Ela ficou também preservada de qualquer concupiscência (de qualquer tendência para o mal), que é decorrência da mancha deixada pelo pecado original, sem no entanto ser culpa pessoal. Não é crível que Deus Pai onipotente, podendo criar um ser em perfeita santidade e na plenitude de inocência, não fizesse uso de seu poder a favor da Mãe de seu Divino Filho.
Maria é totalmente de Deus: é um modelo a imitar. É fonte de santidade para a Igreja: também nós, à medida que crescemos na santidade, santificamos a Igreja. Sua missão a une a nós: precisamos de Cristo para a salvação;Maria é que nos deu Cristo, o Salvador. Em Maria e em nós atua a mesma graça: se Deus pôde realizar nela seu projeto,também poderá realiza-lo em nós, desde que colaboremos com sua graça, como ela o fez. Maria é a criatura humana em seu estado melhor.

Fonte consultada: Oscar Vidal ( Revista Catolicismo)


 Um Natal com Jesus

Celebramos o santo Natal, todos os anos, para três finalidades: Recordar. Celebrar. Atualizar.
1. Recordamos - fazemos memória - do grande acontecimento da história da humanidade: a vinda do Salvador. Na recordação, contemplamos e avivamos em nós o divino e infinito amor de Deus Pai que nos enviou Jesus; de Jesus que veio como Salvador; do Espírito Santo que preparou, fecundou e deu toda a assistência a Maria. Recordamos, contemplamos e admiramos o amor de Maria e de José. Recordamos a realidade mais importante de nossa vida terrena: nossa salvação.
2. Celebramos - As maravilhas que recordamos são tão extraordinárias e significativas para nós, que somos induzidos, motivados e elevados a um estado de festa no coração, a ponto de celebrarmos com grande preparação e com solene e festiva emoção tal acontecimento: o Natal! Que festa é o Natal!
3. Atualizamos - Apropriamos. O Salvador continua no meio de nós, todos os dias, nos oferecendo todas as graças salvíficas de que tenhamos necessidade. Por outro lado, a nossa salvação é um processo contínuo que se iniciou no Batismo e deve prosseguir até nossa morte. Exatamente por causa dessas duas verdades, na celebração do Natal de Jesus  procuramos acolher ainda mais consciente, profunda e radicalmente a Jesus, declarando-O nosso Salvador, entregando a Ele nossa vida, a fim de que nos salve sempre mais profundamente, e nos santifique para a glória dos céus.
Na celebração do Natal procuramos "nos apropriar", tornar próprio, tornar nosso, o Salvador, bem como todas as graças: para uma conversão mais radical a Ele e aos nossos irmãos; para o perdão mais profundo de nossos pecados; para a reconciliação maior com nossos irmãos com quem tenhamos problemas de desamor, perdoando e pedindo-lhes perdão; para uma mais profunda libertação e cura de problemas psicológicos e emocionais, e de lembranças dolorosas; para tomarmos decisões fortes para vivermos uma vida cristã mais consciente, firme e operosa. Sem uma "apropriação" das graças específicas da "festa do Salvador e da salvação", não há verdadeiro Natal. Natal acontece quando abrimos o coração para o Salvador aniversariante e para as graças de salvação e santificação que Ele traz consigo.
PREPARAÇÃO
O Natal é uma celebração tão rica e profunda que exige de cada um de nós alguma preparação. Quanto melhor preparados, maiores serão as bênçãos do Salvador. Podemos lembrar alguns caminhos de preparação:
1. Participar consciente e decididamente das quatro semanas do tempo do Advento, na sua comunidade paroquial.
2. Participar de uma boa Novena de Natal, na sua comunidade ou com um grupo de famílias.
3. Preparar-se muito bem para realizar uma santa Confissão sacramental individual, logo antes do Natal.
4. Colocar símbolos natalinos em sua casa, no escritório ou no local de trabalho, desde o início do Advento, a fim de lhe lembrarem que o Natal de Jesus se aproxima a cada dia.
5. Preparar a "Ceia Natalina" ou outra refeição festiva de Natal, "para Jesus", isto é, centralizada em Jesus, lembrando que o festejado, o aniversariante, a Pessoa mais importante desse encontro é Ele.
6. Se houver condições, encaminhar algum auxílio material para alguma família muito carente, para que tenham algo a mais para celebrar e "sentir que é Natal".
7. Com antecedência, combinar na família qual a Santa Missa de Natal a que todos se farão presentes para, juntos, celebrarem o Salvador e para receber suas bênçãos natalinas.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Começou o Advento!


173247421O homem necessita de uma esperança que vá mais além da ciência e da política para ser feliz…
Estamos na primeira semana do Advento. No mundo antigo indicava a visita do rei ou do imperador a uma província; na linguagem cristã significa a “vinda de Deus”, a sua presença no mundo; um mistério que envolve inteiramente o cosmo e a história, e que conhece dois momentos culminantes: a primeira e a segunda vinda de Jesus Cristo. A primeira é a própria Encarnação; a segunda é o retorno glorioso ao fim dos tempos.
O Papa Bento XVI, falando do Advento, disse que: “Estes dois momentos, que cronologicamente são distantes – e não se sabe o quanto -, tocam-se profundamente, porque com sua morte e ressurreição Jesus já realizou a transformação do homem e do cosmo que é a meta final da criação. Mas antes do final, é necessário que o Evangelho seja proclamado a todas as nações, disse Jesus no Evangelho de São Marcos (cf. Mc 13,10)”.
Já montamos o Presépio e acendemos a vela verde da Coroa do Advento; a guirlanda é verde porque é sinal de esperança e vida, enfeitada com uma fita vermelha que simboliza o amor de Deus que nos envolve, e também a manifestação do nosso amor, que espera ansioso o nascimento do Filho de Deus.
A esperança é virtude teologal, dada por Deus. “É na esperança que fomos salvos”: diz São Paulo aos Romanos e a nós também (Rm 8,24). É com essa esperança que podemos enfrentar o mundo materialista que combate contra o espírito, sem desanimar. São Pedro nos pede que estejamos “preparados para apresentar aos outros a razão da nossa esperança” (1 Pe 3,15). O homem necessita de uma esperança que vá mais além da ciência e da política para ser feliz. Não é suficiente o “reino do homem”, é necessário o “Reino de Deus”. Só algo de infinito pode-nos bastar, algo que será sempre mais do que aquilo que possamos alcançar. Um mundo sem Deus é um mundo sem esperança (cf. Ef 2,12).
O Catecismo nos ensina que: “A esperança é a virtude teologal pela qual desejamos como nossa felicidade o Reino dos Céus e a Vida Eterna, pondo nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos não em nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo.” (§ 1817)
As velas acesas do Advento simbolizam nossa fé, nossa alegria, nossa esperança que não decepciona. Todas serão acesas pelo Deus que vem. Jesus, a grande Luz, “a luz que ilumina todo homem que vem a este mundo” (Jo 1,9); está para chegar, então, nós O esperamos com luzes, porque O amamos e também queremos ser, como Ele, Luz. Ser cristão é ser “alter Christus”, um outro Cristo que se consome como uma vela para iluminar as trevas do mundo.
O primeiro domingo do Advento lembra-nos que o perdão foi oferecido a Adão e Eva, não fomos abandonados ao poder da morte. Eles morreram na terra, mas viverão em Deus. Jesus se fez filho de Adão, sem deixar de ser seu Deus, para salvá-lo.
No Evangelho de Lucas, Jesus diz aos discípulos: “Os vossos corações não fiquem sobrecarregados com dissipação e embriaguez e dos cuidados da vida… vigiai em cada momento orando” (Lc 21,34.36). Portanto, sobriedade e oração. São Paulo nos convida a “crescer e avantajar no amor” entre nós e com todos, para tornar nosso coração firme e irrepreensível na santidade (cf. 1 Ts 3,12-13).
Mais que o Presépio e a árvore de Natal, prepare o seu coração com a esperança que tudo supera. “Continuemos a afirmar nossa esperança, porque é fiel quem fez a promessa” (Hb 10,23). São Paulo disse aos Tessalonicenses: não deveis “entristecer-vos como os outros que não têm esperança” (1 Ts 4,13).
Prof. Felipe Aquino

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O tempo do Advento

Caros filhos, eis chegado o tempo tão importante e solene que, conforme diz o Espírito Santo, é o momento favorável, o dia da salvação (cf. 2Cor 6,2), da paz e da reconciliação. É o tempo que outrora os patriarcas e profetas tão ardentemente desejaram com seus anseios e suspiros; o tempo que o justo Simeão finalmente pôde ver cheio de alegria, tempo celebrado sempre com solenidade pela Igreja, e que também deve ser constantemente vivido com fervor, louvando e agradecendo ao Pai eterno pela misericórdia que nos revelou nesse mistério. Em seu imenso amor por nós, pecadores, o Pai enviou seu Filho único a fim de libertar-nos da tirania e do poder do demônio, convidar-nos para o céu, revelar-nos os mistérios do seu reino celeste, mostrar-nos a luz da verdade, ensinar-nos a honestidade dos costumes, comunicar-nos os germes das virtudes, enriquecer-nos com os tesouros da sua graça e, enfim, adotar-nos como seus filhos e herdeiros da vida eterna.
Celebrando cada ano este mistério, a Igreja nos exorta a renovar continuamente a lembrança de tão grande amor de Deus para conosco. Ensina-nos também que a vinda de Cristo não foi proveitosa apenas para os seus contemporâneos, mas que a sua eficácia é comunicada a todos nós se, mediante a fé e os sacramentos, quisermos receber a graça que ele nos prometeu, e orientar nossa vida de acordo com os seus ensinamentos.
A Igreja deseja ainda ardentemente fazer-nos compreender que o Cristo, assim como veio uma só vez a este mundo, revestido da nossa carne, também está disposto a vir de novo, a qualquer momento, para habitar espiritualmente em nossos corações com a profusão de suas graças, se não opusermos resistência.
Por isso, a Igreja, como mãe amantíssima e cheia de zelo pela nossa salvação, nos ensina durante este tempo, com diversas celebrações, com hinos, cânticos e outras palavras do Espírito Santo, como receber convenientemente e de coração agradecido este imenso benefício e a enriquecer-nos com seus frutos, de modo que nos preparemos para a chegada de Cristo nosso Senhor com tanta solicitude como se ele estivesse para vir novamente ao mundo. É com esta diligência e esperança que os patriarcas do Antigo Testamento nos ensinaram, tanto em palavras como em exemplos, a preparar a sua vinda.

Das Cartas Pastorais de São Carlos Borromeu, bispo
(Acta Eclesiae Mediolanensis, t. 2, Lugduni, 1683, 916-917)            (Séc. XVI)

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Quaresma – Tempo favorável de conversão

Salve Salve galerinha sarada, faz um tempo que eu não passo aqui, estava com saudades, mas a correria está grande graças ao nosso bom Deus, a missão está a todo vapor, quero aproveitar e partilhar um texto que fala um pouco sobre a quaresma, esse tempo que devemos buscar o silêncio interior, e a nossa conversão, deixar o Senhor nos falar, é época de penitência, jejum e oração… então vamos lá:
A Quaresma nos oferece, então, esse “tempo favorável” para se deixar o pecado e voltar para Deus. E para isto fazemos penitência. O seu objetivo não é nos fazer sofrer ou privar de algo que nos agrada, mas ser um meio de purificação de nossa alma. Sabemos o que devemos fazer e como viver para agradar a Deus, mas somos fracos; a penitência é feitar para nos dar forças espirituais na luta contra o pecado.
A melhor Penitência, sem dúvida, é a do Sacramento que tem esse nome. Jesus instituiu a Confissão em sua primeira aparição aos discípulos, no mesmo domingo da Ressurreição (Jo 20,22) dizendo-lhes: “a quem vocês perdoarem os pecados, os pecados estarão perdoados”. Não há graça maior do que ser perdoado por Deus, estar livre das misérias da alma e estar em paz com a consciência.
Além do Sacramento da Confissão a Igreja nos oferece outras penitências que nos ajudam a buscar a santidade: sobretudo o que Jesus recomendou no Sermão da Montanha (Mt 6,1-8), “o jejum, a esmola e a oração”, que a Igreja chama de “remédios contra o pecado”.
Cristo jejuou e rezou durante quarenta dias (um longo tempo) antes de enfrentar as tentações do demônio no deserto e nos ensinou a vencê-lo pela oração e pelo jejum. Da mesma forma a Igreja quer ensinar-nos como vencer as tentações de hoje. Vencemos o pecado praticando a virtude oposta a ele. Assim, para vencer o orgulho, devemos viver a humildade; para vencer a ganância devemos dar esmolas; para vencer a impureza, praticar a castidade; para vencer a gula, jejuar; para vencer a ira, aprender a perdoar; para vencer a inveja, ser bom; para vencer a preguiça, levantar-se e ajudar os outros. Essas são boas penitências para a Quaresma.
Todos os exercícios de piedade e de mortificação têm com objetivo livrar-nos do pecado.  O jejum fortalece o espírito e a vontade para que as paixões desordenadas, (gula, ira, inveja, soberba, ganância. luxúria, preguiça), não dominem a nossa vida e a nossa conduta.  A oração fortalece a alma no combate contra o pecado. Jesus ensinou: “É necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo” (Lc 18,1b); “Vigiai e orai para que não entreis em tentação” (Mt 26,41a); “Pedi e se vos dará” (Mt 7,7). E São Paulo recomendou: “Orai sem cessar” (I Ts 5,17).
A Palavra de Deus nos ensina: “É boa a oração acompanhada do jejum e dar esmola vale mais do que juntar tesouros de ouro, porque a esmola livra da morte, e é a que apaga os pecados, e faz encontrar a misericórdia e a vida eterna” (Tb 12, 8-9).“A água apaga o fogo ardente, e a esmola resiste aos pecados” (Eclo 3,33). “Encerra a esmola no seio do pobre, e ela rogará por ti para te livrar de todo o mal” (Eclo 29,15). Então, cada um deve fazer ma Quaresma um “programa” espiritual: fazer o jejum que consegue (cada um é diferente do outro); pode ser parcial ou total. Pode, por exemplo, deixar de ver  a TV, deixar de ir a uma festa, uma diversão, não comer uma comida que gosta ou uma bebida; não dizer uma palavra no momento de raiva ou contrariedade, não falar de si mesmo, dar a vez aos outros na igreja, na fila, no ônibus; ser manso e atencioso  com os outros, perdoar a todos, dormir um pouco menos, rezar mais, ir á Missa durante da semana…
Enfim, há mil maneiras de fazer boas penitências que nos ajudam a fortalecer o espírito para que ele não fique sufocado e esmagado pelo corpo e pela matéria.  A penitência não é um fim em si mesma; é um meio de purificação e santificação; por isso deve ser feita com alegria.
Texto retirado do blog do Professor Felipe Aquino.
Acesse em “DICAS DE FÉ” um texto especial sobre o Sacramento da confissão.
Deus abençoe!

domingo, 17 de novembro de 2013

Igreja Presbiteriana (EUA), Igreja Cristã Reformada da América do Norte, Igreja Reformada da América e a Igreja Unida de Cristo-Igrejas evangélicas passarão a reconhecer batismo católico

Igreja Cristã Reformada da América do Norte, Igreja Reformada da América e a Igreja Unida de Cristo-Igrejas evangélicas passarão a reconhecer batismo católico



batismo

A cerimônia ecumênica em Austin, Texas, marca o fim de quase sete anos de debate onde as igrejas evangélicas mencionadas reconhecerão o batismo católico e vice-versa.
Líderes da Igreja Católica, Igreja Presbiteriana (EUA), Igreja Cristã Reformada da América do Norte, Igreja Reformada da América e a Igreja Unida de Cristo, selarão o “Acordo Comum de Reconhecimento Mútuo do Batismo”. A decisão é histórica e causa desconforto entre os protestantes dos Estados Unidos. O anúncio vem quase 500 anos depois que a Reforma Protestante dividiu a igreja no mundo todo.
O bispo católico Joe Vasquez, da Diocese de Austin declarou em uma entrevista que esse esforço “é parte de nossa resposta à oração onde Jesus pede que sejamos todos um”.
Desde 2002, o Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos mostrou preocupação com certas práticas batismais distintas e fórmulas verbais (em nome do Criador, Redentor e Santificador) usado por alguns segmentos cristãos. Isso levou os bispos americanos a estudar com outros cristãos a compreensão mútua do batismo. As questões foram analisadas e resolvidas na Reunião Para o Diálogo, promovida pela Igreja Católica Romana dos EUA, que elaborou a primeira versão do acordo.
O documento foi aprovado em 2008 pela Assembleia Geral da Igreja Presbiteriana (EUA) e em 2010, aceito pelos órgãos diretivos da Igreja Cristã Reformada da América do Norte, da Igreja Reformada da América e da Igreja Unida de Cristo.

quinta-feira, 21 de março de 2013


Um Papa chamado Francisco! Reflexão do Cardeal Odilo Scherer

Arcebispo metropolitano de São Paulo“Várias surpresas deixaram desconcertados os ‘vaticanistas’ mais experientes”
Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo metropolitano de São Paulo

Um Papa chamado Francisco! Reflexão do Cardeal Odilo Scherer
“O Espírito Santo não dorme!”, afirmou o Cardeal Odilo Pedro Scherer
Quanta coisa eu gostaria de escrever neste breve artigo! Antes de tudo, louvor à Providência de Deus, que não deixa faltar pastores à sua Igreja que a conduzam conforme o coração de Cristo. Logo após a eleição do novo Papa, ainda na Capela Sistina, os cardeais cantaram a plenos pulmões o hino de louvor à Santíssima Trindade – Te Deum laudamus! Muitos tinham lágrimas nos olhos.
A Igreja recebeu um novo Sucessor de Pedro para conduzi-la nos caminhos do Evangelho e para animar todos os seus membros no testemunho da salvação de Deus, manifestada a toda a humanidade por meio de Jesus Cristo. Participei pela primeira vez de um Conclave e posso dizer que foi ocasião para uma experiência eclesial única e profunda! Pude perceber a sincera busca do melhor para a Igreja e sua missão. O Espírito Santo não dorme!
Antes de entrar no Conclave, rezamos muito, tratamos com franqueza, respeito e profundo senso de responsabilidade as questões que precisavam ser tratadas em vista da escolha do novo pontífice. O clima no Colégio Cardinalício era sereno e fraterno. A entrada em Conclave, com o canto da ladainha de todos os Santos e da especial invocação do Espírito Criador – Veni Creator Spiritus – foi o início de um ato continuado de oração, que durou até à escolha do novo Papa. Para tudo isso, não podia haver espaço mais apropriado que a Capela Sistina, com os esplêndidos afrescos de Michelangelo, especialmente da grande cena do juízo universal.
Eleito o cardeal Jorge Mario Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires, ele escolheu o nome de Francisco, em memória a São Francisco de Assis. Várias surpresas deixaram desconcertados os “vaticanistas” mais experientes: um Papa não-europeu, já nem tão jovem, um latino-americano da Argentina, o primeiro Papa jesuíta, que toma o nome de Francisco ainda não usado por nenhum pontífice anteriormente! Bem que Jesus disse: o Espírito Santo sopra onde quer e ninguém sabe de onde seu sopro vital vem, nem para onde vai… Precisamos todos estar atentos à sua ação, deixando-nos conduzir por ele!
Certamente, Francisco é um nome muito indicativo das características que o novo Papa quer dar ao seu pontificado. São Francisco tinha sido um pecador, dado às vaidades do mundo; mas encontrou a misericórdia de Deus e se voltou inteiramente ele: “meu Deus e meu tudo!”. A partir de sua conversão, procurou viver o Evangelho em profundidade, cultivando a comunhão com Deus e desejando voltar-se sempre mais para Cristo, a ponto de ser chamado de “homem inteiramente cristificado”.
Não é esse mesmo o apelo que a Igreja recebe e faz a todos, desde há mais tempo?! Conversão para um renovado encontro com Deus, um discipulado verdadeiro, para a santidade de vida através da comunhão profunda com Deus, deixando-se abraçar e amar por ele? Na sua primeira Missa com o Colégio Cardinalício, no dia seguinte à sua eleição, o Papa Francisco observou que, sem essa comunhão profunda com Deus e a identificação com Jesus Cristo “crucificado”, sem confessar o seu nome, a Igreja não passa de uma “ONG piedosa”… Na Basílica de São Francisco, em Assisi, há uma bela escultura do Santo abraçado aos pés do Crucificado, que baixa a mão direita para abraçar Francisco.
Mas não é só isso: tendo conhecido a misericórdia e o amor infinito de Deus Pai, São Francisco passou a reconhecer, em cada criatura, um irmão e uma irmã; sobretudo nos homens e mulheres, buscando viver com todos a fraternidade universal, sem excluir ninguém. Coração livre, ele podia amar a todos de coração inteiro e puro. Amou, sobretudo, os doentes (o leproso!), os pobres, os pecadores, os supostos “inimigos”; conseguia dialogar com os “diferentes”, sem mais nenhum dos preconceitos que regulam, geralmente, as relações humanas. Que grande desafio para a Igreja e a humanidade inteira!
Outra dimensão nada secundária na escolha do Papa Francisco: após sua conversão, o Santo de Assis ardia pelo desejo de falar a todos do amor misericordioso de Deus: “O Amor não é amado, o Amor não é amado!” – saiu a gritar pelas ruas e as pessoas acharam que estivesse louco. Louco de amor a Deus! Havia compreendido a loucura de Jesus Cristo crucificado e que era preciso anunciar a todos essa bela notícia. Assim, São Francisco enviou seus frades como missionários em todas as direções. E essa dimensão missionária urge mais do que nunca em nossos dias.
Papa Francisco já entrou no coração do povo. Deus o ilumine e fortaleça! Deus abençoe toda a Igreja e a humanidade inteira através do seu ministério petrino, como servidor das ovelhas do Supremo Pastor! E São José, que festejamos no dia da inauguração solene de seu pontificado, interceda paternalmente pelo Papa Francisco.

domingo, 10 de março de 2013


Nós, alunos da PUC, presenciamos um evento inédito na história da universidade. Um ato heroico.

Era dia 22 de fevereiro de 2013. O cardeal Dom Odilo Scherer, como Grão-Chanceler da PUC de São Paulo, estava pronto para uma missa, celebrando a Festa da Cátedra de São Pedro na capela da Universidade. Em outros lugares o fato poderia significar pouco. Na PUC, marcada por protestos e vandalismos de grupos radicais, qualquer ato do cardeal poderia servir de pretexto para os agitadores armarem uma manifestação.
Cheguei ao campus esperando ver os melhores sem convicção alguma e a cerimônia da inocência afogada, exatamente como nas palavras de William Butler Yeats. Os fatos mostraram que eu não poderia estar mais errado. Presenciei, pela primeira vez, um ato de heroísmo na minha universidade.
Era um dia de chuva, e chegando à PUC, um amigo meu começou a se perguntar se haveria mesmo alguma manifestação para atrapalhar a missa de Dom Odilo. Outro amigo garantiu que algo grande aconteceria, ele só não sabia ao certo o que seria. Lá em baixo, descendo, nós pudemos ver diversos de manifestantes – alguns não eram alunos da PUC – gritando, não só contra a Reitora da Universidade, mas contra o Bispo e contra a Igreja Católica.
Subimos para assistir à missa, e me surpreendi novamente: dentro da Igreja, centenas de fiéis (não digo metaforicamente, eram literalmente centenas) se juntaram para assistir a missa. Além de alunos da PUC, alguns funcionários, seminaristas, professores e pessoas de grupos como Shalom estavam presentes.
Na porta, os manifestantes se reuniram empunhando cartazes ofensivos, alguns com esparadrapos e outros com panos no rosto, querendo intimidar quem ia assistir à missa e protestar na porta da Igreja. Alguns entraram para protestar dentro da Igreja. Outros não entraram, impedidos pela grande quantidade de fiéis na porta.
Dom Odilo Scherer chegou discretamente. Nesse momento começou a chover muito, e a tempestade afastou muitos dos manifestantes que estavam do lado de fora. Com uma serenidade ímpar, Dom Odilo começou a missa pedindo para rezarmos pela reitora e pela conversão dos jovens da PUC. Defendeu o Papa Bento XVI ressaltando que o pontífice renunciou por coragem, que se sacrificou pelo bem da Igreja. Lembrou que “em uma Universidade Católica, estamos ligados à Cátedra de São Pedro”.
A homília foi longa, deve ter sido de quase uma hora. O cardeal comparou as dificuldades de hoje com um deserto, e lembrou que Jesus é o caminho e que, se quisermos que nossa vida tenha significado, devemos lembrar do sacrifício Dele. Lembrou-nos novamente de São Pedro e disse: não fiquem abalados, os que se intimidam não tem um fundamento forte o bastante, vocês não podem ter medo de lutar por Deus.
Três mascarados – um sujeito mais velho e duas mulheres –, entre os que estavam protestando, permaneceram ao longo de toda a missa. Esses não falaram nada, mas queriam chegar perto da eucaristia. Felizmente foram advertidos e impedidos de cometerem um sacrilégio ou de atrapalharem a missa.
No momento em que eu estava imaginando uma saída segura ou prevenida do Cardeal, terminada a missa, ele empunhou seu báculo e disseram que ele sairia pela porta da frente. A chuva já havia parado e os manifestantes haviam se reunido novamente na porta da Igreja. Dom Odilo saiu em procissão, com os sacerdotes que o acompanhavam, pelo meio da manifestação contrária, segurando a Cruz Sagrada, com cantos católicos e orações.
O pessoal que tanto protestou – não vou falar em jovens, pois muito ali já passaram da idade – ficou estupefato com a atitude corajosa de Dom Odilo. Acompanhado por vários fiéis, o cardeal parou em frente à cruz do pátio central da Faculdade, onde estava reunida a maior parte dos manifestantes revoltados, o mesmo lugar da manifestação violenta contra o Papa Bento XVI.
Com muita coragem e uma calma miraculosa, Dom Odilo, cercado de cartazes contra a Igreja, começou a rezar por aqueles que tanto demonstraram ódio por ele. Pediu paz, e falou em tolerância religiosa para lembrar que aqueles que dizem marchar pela tolerância facilmente se tornam arautos de intolerância contra os católicos.
Uma boa parte dos manifestantes ficou impressionada com a atitude de Dom Odilo, que clamava paz e era ouvido com silêncio. Os muitos católicos ocuparam um bom espaço em volta do pátio e se manifestaram em apoio aos sacerdotes, cantando e rezando. A revolta contra Dom Odilo esfriava com suas palavras.
Nesses momentos os mais radicais demonstravam uma raiva verdadeiramente macabra. Não é errado dizer que alguns estavam alucinados e cegos de ódio. Gritando, na melhor das hipóteses, coisas sem sentido como “Viva Hare Krishna!” e a “Ditadura voltou!” e em alguns casos acusações malucas contra o Papa – pelo visto um agente da CIA, pago para derrotar “amantes da liberdade” como Ahmadinejad e Hugo Chávez. E quando os sacerdotes e católicos já tinham ido embora, os revoltados começaram a gritar coisas como “golpistas não passarão”, reforçando a atmosfera ridícula que cercava os mais fanáticos.
Se a manifestação era para ser “oficialmente” contra a reitora nova, ficou claro que muitos dos agitadores (alguns vinculado a partidos comunistas) estavam interessados mesmo é em atacar o cardeal, a Fé e a Igreja. Trazendo pessoas de fora, utilizando algumas câmeras e conversando com jornalistas ele tentaram vender a ideia de que “os alunos da PUC se revoltaram contra o cardeal”. Os vários jovens católicos, em pé na Igreja para a missa de Dom Odilo, evidentemente ficarão de fora de tais reportagens, embora apareçam muito nas fotos dos cidadãos comuns que estiveram lá.
Contrastando imensamente com o maquiavelismo dos mais revoltados, Dom Odilo começou a pregação no pátio com o Credo Niceno-Constantinopolitano (a música mais bonita do mundo no modo III em canto Gregoriano). Foi impossível não lembrar uma das pessoas que mais lutaram por essa profissão de fé: São Gregório de Nazianzo, que quase só, enfrentou com tanta bravura – que só pode ser proveniente de Deus – uma multidão de bispos e de autoridades hereges, serviu de último baluarte de Roma em Constantinopla e foi fundamental para recristianizar quase todo o oriente.
É esse tipo de coragem que rezo para ver nos corações dos nossos cardeais, especialmente em época de Conclave. Perto dessas grandes batalhas o ato de Dom Odilo parece muito pouco, e é verdade que não sabemos se o cardeal terá forças para lutar até o fim.
Só que coisa é certa: nós, alunos da PUC, presenciamos um evento inédito na história da universidade. Um ato heroico. Fico honrado em ter acompanhado de perto este acontecimento, e espero que muitos tenham recebido, no mínimo, uma centelha da esperança que Dom Odilo tentou passar. Neste dia ele fez serem lembradas, em sua fala e especialmente em seus atos, as palavras do Evangelho:
"Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós." João 15:18

"Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos perseguem." Mateus 5:44

"Em seguida, Jesus disse a seus discípulos: Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me.

Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas aquele que tiver sacrificado a sua vida por minha causa, recobrá-la-á." Mateus 16:24-25